O BebéO que é a cárie e como pode afetar os bebés?

O que é a cárie e como pode afetar os bebés?

A cárie dentária é uma das doenças crónicas mais comuns da infância, afetando entre 30% a 50% das crianças em países de maior desenvolvimento.

Já repararam como estes valores são elevados? Quase metade das crianças são afetadas pela cárie dentária. E sim, os primeiros dentes, os dentes de leite podem ter cárie, podem doer e podem dar complicações graves.

Não é raro receber na consulta pais que me dizem “os meus dentes são fracos, será que o meu filho vai ter os dentes como os meus?” Ou “o meu bebé nasceu com maus dentes”… mas é importante esclarecer que os dentes podem sim nascer com alguma alteração no desenvolvimento que aumenta o risco para a cárie dentária, mas não existem dentes fracos! Se cuidarmos deles, com uma boa higiene oral e com cuidado na alimentação podemos prevenir a cárie dentária!

Costumo dizer que os melhores médicos dentistas são os pais em casa, diariamente, que cuidam dos dentes dos filhos e que podem identificar a cárie no seu início, o que faz tanta diferença para evitar problemas de maior.

O que é, afinal, a cárie?

A cárie dentária é a destruição do dente, que é feito de tecido calcificado. Em circunstâncias normais, a perda de cálcio (desmineralização) é compensada pela absorção de cálcio (remineralização) do microambiente dentário. Em ambiente desfavorável, a taxa de remineralização não neutraliza suficientemente a taxa de desmineralização e ocorre a cárie.

Quando os primeiros dentes aparecem na boquinha, têm um esmalte ainda muito jovem, e continuam a mineralização depois de nascer, por isso os cuidados nestes primeiros meses e anos de vida são essenciais, porque a cárie avança de forma muito acelerada nestes dentes.

Existe mesmo uma forma aguda de cárie nas crianças, até aos 6 anos de idade, que chamamos de Cárie Precoce na Infância. Esta cárie se não for tratada pode influenciar a saúde geral e a qualidade de vida, podendo desencadear:

● alterações no crescimento;
● dificuldades de alimentação que leva a deficiências nutricionais;
● problemas comportamentais e de sono;
● menor frequência escolar e resultados educacionais;
● risco para cárie na dentição definitiva;
● dentes tortos e em posições desfavoráveis.

Sintomas da cárie

Os estágios iniciais da cárie dentária geralmente não apresentam sintomas, enquanto os estágios avançados da cárie dentária podem causar dor, infeções e abcessos. Estágios avançados geralmente resultam na extração do dente (o dente é arrancado).

Por isso é importante que saibam que a cárie dentária pode manifestar-se por alteração de cor nos dentes, podendo variar desde uma mancha branca, amarela, acastanhada ou escura, ou pode manifestar-se como uma cavidade.

A cavidade ocorre devido à perda de substância dentária (esmalte e dentina) por ácidos formados por bactérias na placa dentária, que se acumulam na superfície do dente. Esse processo deve-se ao metabolismo bacteriano dos açúcares derivados dos açúcares da dieta.

E não nos podemos esquecer que a par da cárie dentária aparecem doenças associadas como a obesidade, pois ambas as doenças estão relacionadas à dieta e nutrição. Estas crianças invariavelmente irão necessitar de mais cuidados médicos, incluindo hospitalização e mais
antibióticos, associadas a cargas económicas e psicossociais, gerando medo e ansiedade, significativas para a criança e para a família.

Claro que nem todas as crianças respondem da mesma forma. O desenvolvimento da cárie é influenciado pela suscetibilidade do dente, perfil bacteriano, quantidade e qualidade da saliva, nível de flúor e quantidade e frequência de ingestão de açúcares.

A parte positiva de tudo isto é que é possível prevenir esta doença. Segundo um estudo da Cochrane, fornecer conselhos sobre dieta e alimentação para mulheres grávidas, recém-mamãs ou outros cuidadores de crianças até um ano de idade provavelmente leva a um risco reduzido de cárie nos seus filhos durante os primeiros anos de vida.

Por isso se está a ler este artigo, já está no bom caminho! Continue a sua prevenção e marque consulta!

Artigo escrito pela Dra. Inês Guerra Pereira, Médica Dentista

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