GravidezEstou Grávida e Agora?O cantinho da psicóloga: A descoberta da gravidez - uma visão emocional

O cantinho da psicóloga: A descoberta da gravidez – uma visão emocional

A descoberta de uma gravidez pode ser tão feliz quanto assustadora. Se, por um lado, a mesma foi planeada e desejada, por outro, presenciar o sonho despoleta a descoberta de mais emoções, receios e preocupações.

O início de tudo

Ainda que algumas gravidezes sejam planeadas e ocorram de forma mais ou menos breve, outras são mais desafiantes em chegar. Esse tempo, em que se aguarda pela concretização do sonho, já é, por si só, potencialmente gerador de frustração, medo e ansiedade. E, quando a gravidez ocorre, esses fatores tendem a não se dissipar com facilidade.

Assim, a história de cada Mulher que deseja engravidar tem uma só voz, por depender da própria história reprodutiva, dos objetivos inicialmente traçados para si, da informação que detém e de um milhão e meio de tantos outros fatores relacionados com a vivência familiar, conjugal e social.

A verdade é que a gravidez que agora se inicia é sua (que pode ou não ser partilhada com alguém significativo). E só a Mulher sabe o que sente a cada dia, o que receia e o que espera.

Existem aspetos-chave a ter em atenção. Pode sentir:

  • um estado de ambivalência, querendo muito a gravidez ao mesmo tempo que sente um enorme medo por estar grávida;
  • inquietação face à mudança que rapidamente surgirá;
  • receios face ao desempenho de um novo papel, ainda desconhecido;
  • questionamentos a ver com a insegurança do corpo em aguentar uma gravidez até ao fim;
  • medo de não gerar um filho saudável;
  • sensação de incapacidade em cuidar de um recém-nascido;
  • perceção de ausência de tempo de qualidade individual;
  • o impacto que a gravidez terá na relação conjugal;
  • receio de ser amada pelo seu bebé;
  • questões relacionadas com a sua alimentação, o parto e/ou a amamentação.

A viagem de emoções não tardará a surpreender a cada dia, semana ou mês que passa, podendo sentir-se emocionalmente mais lábil, notando alterações de humor que se atropelam. Essas variações de humor como, por exemplo, choro fácil, maior irritabilidade ou impaciência, podem dever-se, não só às alterações hormonais, mas também à ansiedade, ao cansaço, aos enjoos, à perceção de mudança do corpo ou à falta de suporte.

Contudo, as oscilações de humor não devem constituir um impacto negativo na funcionalidade do seu dia-a-dia e traduzirem-se em sofrimento, coberto de desânimo, tristeza, solidão e/ou isolamento. Se assim for, recorrer a apoio profissional especializado em saúde mental deve ser uma prioridade. A verdade é que nem sempre está tudo bem, nem mesmo quando se descobre uma gravidez há tanto sonhada. Por isso, é válido e legítimo o que sente no seu caminho e precisa de apoio, não de julgamento. Não está sozinha.

Questionar significa que se preocupa e que pretende assumir um compromisso com uma responsabilidade acrescida, atirando-se de cabeça, mas com asas, para um futuro sem previsões. A confiança em si enquanto capaz de se cuidar e a confiança no seu corpo enquanto seguro do seu papel pode trazer-lhe acalmia. Aceite e ceda à necessidade de repousar; de se energizar com exercício físico; de aquecer o coração com os abraços de alegria de quem a rodeia; de se alimentar de forma nutritiva e equilibrada; de enriquecer-se com prazerosas atividades que a caracterizam; de respeitar o que sente e o que precisa.

O segredo é amar e cuidar de si. Enquanto isso, o bebé sentir-se-á igualmente amado e cuidado por si.

Artigo escrito por Mariana Pinho de Magalhães, Psicóloga

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...
Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar Joana Pereira | Fisiologista do Exercício Físico Especializada em Gravidez e Pós-Parto | Barrigas Felizes

Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar

O retomar do exercício físico, no pós-parto, pode ser um desafio.Pela quebra de rotinas, que se viram obrigadas a ser alteradas devido à nova...
A amamentação depois do cancro da mama Artigo de opinião por Filipa Ribeiro, Mestre Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica e Consultora em Aleitamento Materno

A Amamentação Depois do Cancro da Mama

A amamentação é um ato de amor e de confiança. Mas quando a mulher viveu um cancro da mama, esse gesto ganha uma dimensão...