O BebéSaúde & Cuidados do BebéComunicação Intra-Uterina: como comunicar com o bebé

Comunicação Intra-Uterina: como comunicar com o bebé

A gravidez é sem dúvida um momento único na vida de um casal…. A passagem de casal a pais é um processo complexo que vai sendo edificado ao longo da gravidez e que contribui para a transição de papéis, construindo-se laços que perduram para a vida.

A comunicação intra-uterina com o bebé proporciona um maior conhecimento das características de cada elemento da nova família em construção. Não só os pais e o bebé desenvolvem capacidades de comunicação, como aprendem a conhecer os seus ritmos e as
suas estratégias para partilhar sentimentos e situações do dia-a-dia.

As técnicas de comunicação intra-uterina foram pensadas e desenvolvidas com a ajuda de outros casais grávidos que manifestaram o desejo de conversar com a sua barriga. Mais do que técnicas, são estratégias simples de comunicação entre os pais e o bebé, que abrem um canal
para a partilha entre o meio exterior e o meio intra-uterino…e são tão simples que se tornam naturais.

Como comunicar com o seu bebé

A forma de comunicar com o seu bebé durante a vida intra-uterina está relacionada com o desenvolvimento dos cinco sentidos que vai sendo manifestada pelo bebé a partir das 22 semanas de gravidez. A realização desta comunicação é própria da forma de ser e estar de cada ser humano, o que faz com que cada mãe e/ou pai as coloque em prática de acordo com as suas disposições e momentos pessoais.

É necessário ter em conta que as técnicas de comunicação intra-uterina se constituem como linhas condutoras, adaptáveis de acordo com a forma como o casal se relaciona e com as suas necessidades em termos da passagem de casal a pais.

A música

A música constitui-se como uma ponte ou um canal facilitador da aproximação entre o casal e o seu bebé. Permite construir de forma consciente ou inconsciente um espaço agradável de partilha de sentimentos. Uma das características mais importantes desta forma de
comunicação é a sonoridade da música escolhida bem como o ritmo que deve ser sempre semelhante. Não é importante o tipo de música em si mas o facto de ser agradável e relaxante para ambos os pais. Existem casais que escolhem música clássica, de relaxamento, hip-hop, entre outras.

Na prática os resultados obtidos são semelhantes pois desde que se sintam tranquilos e que desfrutem do momento, o seu bebé também o irá sentir.

A associação da música a períodos de tranquilidade e serenidade faz com que o casal se encontre mais disponível para a troca de estímulos com o bebé e para o seu próprio auto- conhecimento. O desenvolvimento gradual da audição e da sensibilidade facilita ao bebé a associação destes períodos de relaxamento ao estímulo musical, o que condicionará no futuro o seu comportamento. Assim é mais provável que após o nascimento o bebé associe a música ao relaxamento e se acalme quando reconhecer este estímulo já tão familiar.

O bebé, ao sentir-se envolvido num momento de carinho, e de disponibilidade dos pais para consigo, poderá desenvolver um sentimento positivo quando ouve a música utilizada durante a gravidez.

As conversas com o bebé

As conversas com o bebé constituem-se como uma fonte de estímulos externos relacionados com os diálogos dos pais. A mãe, é a figura cuja voz é ouvida pelo bebé durante mais tempo durante a gravidez, pelo imperativo biológico associado, uma vez que sempre que esta fala, mesmo que o discurso não seja direcionado ao bebé, ele ouve.

É reconhecido que o bebé depois de nascer e nos momentos seguintes, vira a cara na direção das vozes que lhe são familiares o que poderá estar relacionado com as conversas com a barriga que os pais mantiveram ao longo da gravidez. Este reconhecimento entre pais e bebé ajuda a mãe e o pai a sentirem-se mais capazes de enfrentar este novo desafio da parentalidade.

Tocar na barriga

O toque é uma das vias de transmissão do afeto que permite o desenvolvimento e aprofundamento das relações de confiança. Durante a vida intra-uterina, os exercícios de relaxamento feitos pela mãe podem também ser sentidos como formas de toque para o bebé,
pois através destes ele consegue sentir o estado emocional materno, seja de tranquilidade ou ansiedade.

Neste sentido, é também conhecido que o bebé sente a diferença entre os vários toques realizados na barriga da mãe. Os pais referem que o seu bebé responde de forma diferente ao toque da mãe e/ou ao toque do pai, bem como de uma pessoa que não seja próxima.

Pensamentos para o seu bebé

Esta forma de comunicação intra-uterina privilegia a mãe pois ela é a única que pode ter pensamentos positivos direcionados para o seu bebé. Estes pensamentos são benéficos pois a nível fisiológico há uma resposta hormonal associada ao relaxamento e à tranquilidade.

É fundamental que exista uma disponibilidade afetiva da mãe e que esta se concentre no seu bebé, nos benefícios que este momento de partilha e de estimulação representam para a vida intra-uterina. Todo este fenómeno de sonhar acordado contribui para uma maior aproximação entre os desejos dos pais e a relação afetiva que se constrói, direcionando as perceções de carinho e ternura para o bebé.

Recordações para mais tarde:

  • Existem quatro formas de comunicar com a vida intra-uterina do seu bebé: música, conversas com o bebé, toque na barriga, pensamentos para o bebé.
  • Podem ser feitas em simultâneo, o importante é que o momento seja de relaxamento e tranquilidade e que faça parte do dia-a-dia do casal.
  • Quanto mais vezes forem colocadas em prática as técnicas, maior será o feddback do bebé.
  • A forma como o bebé reage a cada uma das técnicas condiciona também a forma como os pais encaram cada uma delas, tornando agradável e entusiasmante uma técnica, que através da interpretação da resposta do bebé, também lhe aparenta agradar.

Artigo escrito pela Enfª Maria João Silva, Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

Veja mais dicas na Academia Online

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...
Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar Joana Pereira | Fisiologista do Exercício Físico Especializada em Gravidez e Pós-Parto | Barrigas Felizes

Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar

O retomar do exercício físico, no pós-parto, pode ser um desafio.Pela quebra de rotinas, que se viram obrigadas a ser alteradas devido à nova...
A amamentação depois do cancro da mama Artigo de opinião por Filipa Ribeiro, Mestre Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica e Consultora em Aleitamento Materno

A Amamentação Depois do Cancro da Mama

A amamentação é um ato de amor e de confiança. Mas quando a mulher viveu um cancro da mama, esse gesto ganha uma dimensão...