O BebéO Papel do Pai na Comunicação

O Papel do Pai na Comunicação

Quão importante é o papel do pai desenvolvimento da comunicação?

E será o pai uma peça chave para o desenvolvimento dos nossos pequenotes?

De ‘Gugu Dada’ a Grandes Conversas: O papel do pai no desenvolvimento infantil vai muito além do que muitos imaginam! A sua presença ativa influência a linguagem, cognição e comportamento da criança.

Na terapia da fala, sabemos que a comunicação começa antes das palavras – através de brincadeiras, conversas e refeições partilhadas. Cada interação conta para um crescimento saudável!

A humanidade desde a sua génese até há bem pouco tempo atrás, consagrou o papel da parentalidade quase exclusivamente na sua vertente feminina. A própria palavra maternidade remete para sua raiz latina no maternitas, maternitat-is, derivado de mater, cujo significado é mãe. Não obstante de muitos ainda acreditam que a mãe tem um papel mais predominante na educação dos filhos, enquanto a figura paterna fica em segundo plano. A própria sociedade, muitas vezes, reforça esta ideia, retirando aos pais a responsabilidade ativa no desenvolvimento dos seus bebés. Mas a verdade é que o pai desempenha um papel fundamental na construção das bases emocionais, cognitivas e comunicativas do bebé. Para além de existir uma partilha de responsabilidade e consequentemente uma maior disponibilidade de ambos para a relação.

Quando um pai está ausente ou pouco envolvido, o bebé pode perder ligações e aprendizagens essenciais, que influenciam diretamente o seu desenvolvimento para toda a vida. E é aqui que o papel do pai se torna essencial.

A ciência defende que o PAI tem um papel fundamental no desenvolvimento integral do bebé influenciando diversas áreas do seu crescimento.

Segundo Silva e Almeida (2022), a presença ativa do pai contribui para o bem-estar emocional da criança, promovendo a construção de relações saudáveis e uma autoestima positiva o que promove um desenvolvimento socioemocional saudável.

Os interesses dos pais, sendo diferentes dos das mães tendem a estimular a curiosidade e o pensamento critico noutras áreas, o que, segundo Costa et al. (2021) facilita o processo de aprender e consecutivamente o desempenho a nível escolar, sendo este um grande contributo para o desenvolvimento cognitivo do bebé. Ao nível comportamental, também sabemos que o envolvimento do pai está associado a comportamentos mais adaptativos e a comportamentos menos desviantes e desafiantes.

Logo numa fase inicial, Martins (2019) diz-nos que o pai desempenha um papel crucial na formação da identidade da criança e na sua capacidade de socialização, servindo muitas vezes como modelo de comportamento. Um dos pontos essenciais que deve ser recordado, e sobre o qual a ciência se tem debruçado, é a importância imprescindível do pai no apoio emocional à mãe. O suporte emocional e a presença de um pai envolvido e pró-ativo reflete-se num ambiente familiar harmonioso e tranquilo, o que se resulta num bebé organizado, tranquilo e saudável.

É importante notar que a qualidade do envolvimento paterno, caracterizada por afeto, apoio e estabelecimento de limites, é essencial para o desenvolvimento de uma criança saudável e feliz (Rodrigues e Lima, 2021).

A interação diária entre pai e bebé tem um impacto direto no desenvolvimento da comunicação. Sempre que o pai fala, canta ou brinca, está a criar um ambiente cheio de estímulos que favorecem a linguagem. Sabemos que bebés que crescem em lares com mais conversa e interação têm um vocabulário mais rico e maior facilidade em estruturar frases. Algo tão simples como descrever o que está a acontecer – “Vamos vestir a camisola!”, “Olha o carro vermelho!” – dá à criança um contexto linguístico importante. Mesmo que ainda não fale, o bebé está a absorver e a processar cada palavra, aumentando o seu reportório linguístico emergente. Mas a comunicação vai muito além da fala. O contacto visual, os gestos e as expressões faciais são fundamentais para que o bebé compreenda a intenção por trás das palavras.

O pai, ao interagir com o bebé de forma expressiva e envolvente, ensina-o a interpretar emoções, a estabelecer ligações sociais e a responder aos diferentes estímulos. Jogos como o “cu-cu” são ótimos para trabalhar a noção de turnos na comunicação – uma habilidade essencial para o desenvolvimento da linguagem.

E depois vem a brincadeira – talvez a forma mais natural e eficaz de estimular a comunicação e o vínculo emocional. Sempre que o pai se envolve em jogos de faz de conta, lê histórias ou imita sons, está a dar ao bebé novas formas de se expressar.

Os bebés aprendem muito pela observação e imitação, e o pai é um dos modelos mais importantes nesse processo.

A alimentação também é um momento incrível para estimular a comunicação e o desenvolvimento motor da boca. Não é só sobre comer – é sobre explorar sabores, texturas e movimentos que mais tarde serão essenciais para a fala. A forma como a comida é apresentada, a interação durante a refeição e a liberdade para mexer e experimentar são fatores que contribuem para um desenvolvimento global mais equilibrado.

O pai, ao estar presente nesses momentos, transmite segurança ao bebé e ajuda a tornar a alimentação um processo natural e positivo. Mais do que apenas estar presente, o pai tem um impacto gigante no crescimento do seu filho.

Cada brincadeira, cada conversa, cada refeição partilhada cria um ambiente seguro e estimulante, onde o bebé pode explorar, aprender e desenvolver-se ao seu ritmo. Porque no fim do dia, comunicar não é só falar – é criar laços, fortalecer a confiança e abrir portas para um mundo cheio de descobertas.

Pensando em tudo isto, que bom que é ter um PAI que nos permite descobrir o mundo e criar memórias cheias de amor!

 

Por, Joana Nápoles, Terapeuta da Fala & Alimentação

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