GravidezAs transformações físicas e emocionais durante a gravidez

As transformações físicas e emocionais durante a gravidez

Um resultado positivo para gravidez deixa muitas mulheres “nas nuvens”. A alegria da notícia, os parabéns dos amigos e familiares podem até inspirá-la. No entanto, quando a gestante se depara com todas as mudanças pelas quais passará, alterações físicas, emocionais e psicológicas, muitas vezes toda aquela euforia desaparece e surgem as primeiras inquietações.

Durante o período gestacional, a mulher está suscetível a diversos fatores de stress próprios dessa fase, que podem provocar incómodos locais ou generalizados. Além das transformações físicas, as mulheres grávidas ainda precisam de lidar com várias mudanças psicológicas.

Incómodos mais frequentes

  • Náuseas e/ou vómitos;
  • Mudanças no paladar e no apetite;
  • Azia e leves dores de estômago, devido à subida das secreções gástricas ao esófago;
  • Aversão a alguns odores;
  • Sensação de maior cansaço ou fadiga, falta de energia;
  • Dores nas costas que podem aparecer em qualquer momento durante a gravidez, normalmente relacionadas com a adaptação do corpo às alterações físicas, aumento de peso, atividade física excessiva ou posições incorretas;
  • Prisão de ventre, devido sobretudo a uma lentidão progressiva do trânsito intestinal, por causa da ação relaxante das hormonas da gravidez no intestino;
  • Hipersensibilidade mamária;
  • Alterações de humor devido às mudanças hormonais, o estrogénio e a progesterona duplicam, e a parte mais racional diminui à medida que as emoções se intensificam e os sintomas mais comuns são irritabilidade, sensibilidade, desânimo, alterações da rotina do sono e do apetite, podendo também afetar a vida conjugal e familiar.

Num período mais avançado da gravidez podem surgir:

  • Aumento de peso exagerado que necessita de aconselhamento médico;
  • Sensação de dificuldade em inspirar;
  • Estímulo frequente para urinar ou mesmo pequenas perdas de urina devido ao peso e pressão que o útero exerce sobre a bexiga e ao estiramento dos músculos e ligamentos do pavimento pélvico;
  • Cãimbras musculares, muitas vezes nas pernas, plantas e dedos dos pés;
  • Retenção de líquidos, principalmente nos últimos meses de gravidez, sobretudo nas pernas, tornozelos, podendo inchar um pouco sobretudo ao fim do dia;
  • Flatulência pois o intestino trabalha mais lentamente;
  • Estrias na pele sobretudo no abdómen, na raiz das nádegas e nos seios;
  • Pressão pélvica inferior, provocando desconforto ou dor.

É claro que cada que cada mulher reage de maneira diferente a essas mudanças, por isso é imprescindível que, independente da intensidade dos sintomas, a mulher aprenda a reconhecê-los e a conviver da melhor maneira possível consigo mesma durante essas fases. A mulher mais determinada e calma pode se tornar insegura e frágil e experimentar uma mudança de humor que vai de tristeza a euforia ou do choro ao riso.

O diálogo e a compreensão do seu companheiro e da família são fundamentais para que a grávida consiga ajustar-se física e emocionalmente à gravidez, e viver este momento da forma mais tranquila possível.

À medida que se aproxima do parto, as alterações físicas, como o aumento do abdómen, levam a queixas e consequências como cansaço, dores de costas, incontinência urinária, insónia, entre outras. E todas essas situações podem alterar o estado emocional da grávida, vivenciando momento de incerteza, dúvida e medo, preocupando-se com o parto, se está tudo pronto e não falta nada para receber o seu bebé, e depois se vai conseguir amamentar. Esses inúmeros questionamentos tornam-se um turbilhão de emoções que podem também afectar a sua rotina diária.

Todas estas alterações são normais e devem ser temporárias. Se durarem um longo período de tempo, a mãe deve recorrer ao seu médico e falar abertamente sobre o assunto, para o seu bem e o bem do seu bebé.

Como pode o yoga ajudar?

A depender do grau e dos fatores relacionados, o yoga durante a gravidez tem mostrado ser eficaz para evitar e controlar a maioria dos desconfortos típicos físicos e psicológicos deste período, em aumentar o relaxamento e reduzir as hormonas do stress no organismo da mãe.

Através da realização de posições físicas suaves em harmonia com a respiração lenta e tranquila, é promovido o relaxamento das articulações, a mobilidade pélvica, o aumento da flexibilidade e força muscular. Os exercícios respiratórios, de relaxamento e meditação, ajudam a grávida a adaptar-se às transformações físicas que ocorrem durante toda a gravidez, preparando o corpo da mulher e a sua mente para o momento do parto, fazendo com que a grávida se torne mais consciente de si mesma, das necessidades do seu bebé, e das mudanças que estão ocorrendo, aproveitando ao máximo este momento único na sua vida.

Artigo escrito pela Professora de Yoga e Educadora Pré-Natal Susana Lopes,
Fundadora do projeto Yoga e Maternidade

Aulas de Yoga gratuitas na Academia Mamãs Sem Dúvidas

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...
Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar Joana Pereira | Fisiologista do Exercício Físico Especializada em Gravidez e Pós-Parto | Barrigas Felizes

Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar

O retomar do exercício físico, no pós-parto, pode ser um desafio.Pela quebra de rotinas, que se viram obrigadas a ser alteradas devido à nova...
A amamentação depois do cancro da mama Artigo de opinião por Filipa Ribeiro, Mestre Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica e Consultora em Aleitamento Materno

A Amamentação Depois do Cancro da Mama

A amamentação é um ato de amor e de confiança. Mas quando a mulher viveu um cancro da mama, esse gesto ganha uma dimensão...