PreconceçãoO papel do parceiro(a) na conceção

O papel do parceiro(a) na conceção

Sonhar com um futuro bebé é um momento único a dois: a parentalidade constitui um objetivo e um período importante no desenvolvimento pessoal e social de muitas mulheres e do casal.

É uma bênção e um desafio, para o qual o casal deve preparar-se, pelo que o diálogo prévio sobre as suas pretensões, responsabilidades e compromissos que envolve, vai ser fundamental.

Antes de mais é relevante falar-se de alguns números, pois a expectativa de que a gravidez se atinge fácil e rapidamente, o que na maioria não ocorre, pode criar frustrações, tristeza e stress individual e no relacionamento do casal:

  • 80% dos casais consegue conceber em cerca de 6 meses;
  • 85% ao fim de um ano;
  • 50% dos casais que não conceberam no 1º ano, conseguem fazê-lo nos 3 anos seguintes;
  • Há 10% de incidência de infertilidade nos casais, a nível mundial;
  • Após 1 ano, com relações desprotegidas, com o intuito de engravidar, não o tendo alcançado, pode-se solicitar colaboração por um médico especialista em Infertilidade.

Perante tudo isto, sendo algo que ambos ambicionam, devem começar por cuidar melhor da sua saúde e isso pode iniciar com a marcação de uma consulta de pré conceção, no médico de família (idealmente) ou com a ginecologista, que já acompanha a mulher (conforme a norma 001/2023 da DGS).

A consulta deve ocorrer 3 meses antes de se suspender a contraceção, pois como casal, irão realizar exames e obter recomendações sobre hábitos saudáveis, para que possam ajustar ou mesmo mudar hábitos que possam condicionar negativamente a fecundação/gestação. Esta consulta será um momento ótimo para poderem esclarecerem dúvidas que tenham.

A adoção de hábitos saudáveis é apostar em condições favoráveis à perfeita formação e desenvolvimento do feto. Alguns podem ser desafiantes, sobretudo para quem tenha hábitos de consumo, por exemplo de tabaco.

A participação ativa do(a) parceiro(a) é cada vez mais valorizada e protegida socialmente, pois tudo flui melhor se for com apoio e acompanhada. É importante estarem saudáveis como casal! Por isso as aquisições e alterações devem ser realizadas a par, sendo maior a probabilidade de sucesso e de manutenção.

Uma vida saudável é fundamental para o sucesso de uma gravidez.

Segue uma lista de hábitos a adquirir/ manter:

  • Não fumar/Deixar de fumar – o fumo ativo e ambiental, afeta a qualidade dos espermatozoides, afeta o funcionamento da placenta e aumenta o risco de bebés de baixo peso ao nascimento e aumenta a probabilidade de problemas respiratórios no bebé;
  • Não consumir bebidas alcoólicas ou drogas – aumenta o risco de malformações, sobretudo a nível neurológico;
  • Praticar exercício físico regular – fortalece o sistema cardiorrespiratório e muscular, para além que ao ser feito a dois, favorece a ligação entre ambos e diminui a ansiedade;
  • Evitar o stress as hormonas de “stress” são antagonistas às hormonas de “bem-estar”, que são fomentadoras da fertilização, de homeostasia na gestação e indutoras (futuramente) do trabalho de parto;
  • Adotar uma alimentação equilibrada e variada é primordial a ingestão hídrica adequada (1,5 l/dia), bem como a adoção de um padrão alimentar equilibrado, que evite excessos ou carências, pois estes podem afetar o bom desenvolvimento do feto e dificultar no momento do parto (https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/wp-content/uploads/2022/07/GuiaAconselhamento_Parte-I-Final-1.pdf);
  • Diminuir a cafeína – não existe evidência do seu malefício na pré conceção, mas está associada na gestação, pelo que esta redução prévia é importante;
  • Suplementação alimentar promove a fertilidade e assegura a saúde da mãe e do bebé durante a gravidez e pretende prevenir uma série de complicações e deficiências nutricionais. Entre os suplementos mais recomendados estão:
  1. ácido fólico (essencial para a prevenção de defeitos do tubo neural),
  2. ferro (ajuda a prevenir a anemia materna e apoia o crescimento e desenvolvimento do feto),
  3. iodo (importante para o desenvolvimento neurológico do bebé, mas contraindicado em mulheres com doença da tiroide).
  4. vitamina B12, Ómega 3 e 6, entre outros (grávidas com questões específicas alimentares, como vegetarianismo).

Todas estas recomendações só serão eficazes e ficarão mais estabelecidas com o devido apoio e participação do parceiro(a). A parentalidade é para ser vivida a dois, mesmo quando ainda é apenas um projeto.

Com os devidos cuidados e sobretudo muito amor entre os dois, a gravidez passará de um desejo a uma realidade a estimar, cuidar e evoluir em casal/família.

Um casal bem informado e já com hábitos saudáveis prévios à gravidez, vive a gestação com outra tranquilidade e com uma participação mais ativa na interação precoce com o seu filho.

Procurem sempre profissionais habilitados para vos orientar e esclarecer durante esta preciosa viagem.

Artigo escrito por Cristina Sales

Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica

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