O cantinho da psicóloga: O casal na pré-conceção

Estou Grávida e Agora?, Gravidez

5 de Janeiro de 2023

Quando o primeiro passo é dado em consciência, é dado com coragem, confiança e determinação, concordando, a dois, que se está preparado (sem saber muito bem o que isso significa) para um bebé.

Estar preparado, nesta fase inicial, pode significar que o casal considera ter as condições financeiras mais ou menos ideais, que o casal sente que é o momento de avançar com o compromisso de educar alguém para o mundo, que o casal pretende, com responsabilidade e compromisso em cada ação, ter a capacidade de dar resposta, com gratidão pelo que é gerar e criar.

E há coisas que mudam. A necessidade de que aconteça brevemente, a liberdade da contraceção, os sonhos, os planos, os medos e a esperança. E na ausência de “tentar com esforço”, abrem-se portas à espontaneidade e à verdadeira vontade de se ser num contínuo amor que une.

Também se abrem portas às expectativas: de quando será, de como será, de como e quando contar e do papel de cada elemento do casal durante este processo. E, como cada uma das pessoas traz consigo uma bagagem de histórias, crenças e experiências, a forma como se vive este momento e como se lida com cada uma das vitórias e obstáculos é necessariamente distinta. Mas a diferença acarreta diversidade e equilíbrio, apesar de se poder sentir o contrário quando a comunicação não é a palavra-chave. E talvez esta seja assim algo para o que olhar com atenção durante este período e o restante ciclo de vida em casal: comunicar.

Comunicar implica autoconhecimento e curiosidade em conhecer o outro. Importa perceber qual a minha opinião sobre determinado tema, refletir, demonstrar por palavras, partilhando o que se sente e estar preparado para ouvir. A pré-conceção em casal significa um novo desejo em ação e não abdicar do que sou ou somos em prol de um único objetivo. Com uma perspetiva holística: ter objetivos, individuais e conjugais.

  • O que ainda pretendo alcançar?
  • O que me move para atingir o que quero?
  • O que nos motiva enquanto casal?
  • Quais são os objetivos que traçamos para nós?
  • Agora que este objetivo está cumprido, onde gostávamos de chegar?

Nestes planos cabe a imprevisibilidade da vida, o que inúmeras vezes chamamos de “não ter controlo”, podendo transparecer a frustração. Acrescento então: a consciência. A consciência do que pode implicar assumir uma ação, com toda a especificidade que exige, e o resultado não ser o esperado. Na mais simples ascensão da situação como não ter acontecido no primeiro ciclo, como no mais duro obstáculo, numa duração de meses ou anos em pré-conceçao. A consciência do eu e da forma como me regulo perante cada obstáculo ou sucesso, a consciência do eu perante o tu num plano contrário, a consciência do nós no momento e no futuro com ou sem filhos. Em qualquer destes momentos, um dos fatores vitais é o que damos e recebemos do outro: o suporte.

Sabemos que a forma como o casal está disponível para se apoiar em cada fase deste e de outros sonhos é um fator extremamente protetor para a regulação emocional. Não na dependência sem responsabilidade individual, mas no conforto e segurança de que ambas devem estar presentes.

A pré-conceção é um lugar primário de alegria imensa, mas que dependendo do capítulo de cada um, pode ser um pouco menos colorida. Não é de receio e insegurança que se passeia na vida, contudo, permitir-se estar no momento presente, na valorização do que a cada dia é seguro, belo e simples, é a melhor forma de se ser. Em pré-conceção, durante a maternidade e em toda a
adaptação e transformação individual per se.

Artigo escrito por Mariana Pinho, Psicóloga Clínica

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