O BebéA Chegada do Bebé5 Direitos Laborais na Gravidez e no Pós-parto que precisa de conhecer

5 Direitos Laborais na Gravidez e no Pós-parto que precisa de conhecer

Durante a gravidez e o pós-parto há direitos laborais para a mãe e o pai aproveitarem, com calma, esta fase. Estes são 5 direitos que precisa de conhecer!

1. Direito a dispensa para ir a consultas e curso de preparação para o parto

A trabalhadora grávida tem direito a ser dispensada do trabalho (faltar) para poder comparecer em consultas de vigilância da gravidez, exames médicos (como por exemplo, ecografias ou análises), bem como para assistir às aulas de preparação para o parto.

Ainda que a lei refira que as consultas devem ser preferencialmente agendadas para horário pós-laboral, caso tal não seja possível, a trabalhadora grávida tem direito à referida dispensa pelo tempo e número de vezes que forem necessárias.

Já quanto ao pai, este tem direito a 3 dispensas ao trabalho para acompanhamento da grávida a consultas, exames ou frequência do curso de preparação para o parto.

2. Gozo antecipado da licença parental

A trabalhadora grávida, caso assim o pretenda, pode gozar até 30 dias de licença parental inicial antes do parto.

Contudo, dado que se trata de um gozo antecipado, será de considerar, para o efeito, a data provável do parto: em suma, pode a grávida gozar até 30 dias de licença antes da data prevista para o parto. Devendo, para o efeito, informar a entidade empregadora com uma antecedência de 10 dias e apresentar a declaração médica que indique a data provável do parto.

3. Licença parental inicial

A mãe e o pai trabalhadores têm direito a uma licença parental inicial de 120 ou 150 dias consecutivos (ou seja, dias de calendário), sendo que a duração da licença será acrescida de 30 dias, no caso de cada um dos progenitores gozar de um período exclusivo de 30 dias ou dois períodos de 15 dias, após o período de licença obrigatória da mãe (que corresponde às 6 semanas subsequentes ao parto).

A licença inicial com a duração de 120 dias (ou de 150 dias porque há a partilha entre os progenitores nos termos referidos acima), terá um subsídio a ser pago pela segurança social no valor de 100% da remuneração de referência.

Já a licença de 150 dias (e em que não há partilha entre os progenitores), terá um subsídio a ser pago pela segurança social no valor de 80% da remuneração de referência.

Porém, se os pais optarem por uma licença de 150+30 dias (num total de 180 dias, porque há a partilha entre os progenitores nos termos referidos acima), o subsídio a ser pago pela segurança social já corresponderá a 83% da remuneração de referência.

4. Licença exclusiva do pai

O pai tem direito a uma licença parental obrigatória de 20 dias úteis nas 6 semanas a seguir ao parto, sendo que, 5 dos 20 dias úteis têm de ser gozados imediatamente após o parto. O pai tem, ainda, direito a mais 5 dias úteis de licença do pai, a serem gozados em simultâneo com o gozo da licença da mãe.

5. Licença parental alargada

Terminada a licença parental inicial, o pai e a mãe têm, ainda, direito cada um a uma licença parental complementar na modalidade de licença parental alargada por um período até 3 meses.

Para esta licença alargada existe o respetivo subsídio da segurança social, que corresponde a 25% da remuneração de referência.

Ainda que a licença inicial não tenha uma duração que permita cumprir, por exemplo, as recomendações da OMS no que toca à amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses de vida do bebé, a verdade é que estão previstas várias licenças que as mães e pais trabalhadores podem usufruir para ficar mais tempo a acompanhar o bebé antes do regresso ao trabalho após a licença.

Porém, qualquer período de licença para além dos 120 ou 150 dias (neste caso, se houver partilha de licença entre os pais) irá acarretar sempre uma quebra de rendimento – o que faz com que as licenças que permitem ficar mais tempo com o bebé não sejam acessíveis à maioria dos portugueses, nomeadamente, mas não só, porque se trata de um período da vida familiar em que existem mais despesas que não são compatíveis com a quebra de rendimento.

Não só para poder acompanhar a recomendação da OMS de amamentação exclusiva durante os primeiros 6 meses, como pela necessidade do bebé de proximidade ao cuidador de referência (que, por regra, é a mãe) ou pela vontade da mãe de acompanhar em exclusivo o seu bebé antes do regresso ao trabalho, seria muito importante o alargamento da duração da licença inicial da mãe para pelo menos 6 meses e com um subsídio de 100% do valor da remuneração de referência.

Artigo escrito por Marta Carvalho Esteves, Advogada

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

Webinar Amamentação

No dia 28 de maio, pelas 21h, participe num webinar gratuito e exclusivo sobre amamentação, organizado pela Mamãs Sem Dúvidas, a BebéVida e a...
E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...
Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar Joana Pereira | Fisiologista do Exercício Físico Especializada em Gravidez e Pós-Parto | Barrigas Felizes

Exercício Físico no Pós-Parto: Quando e Como Recomeçar

O retomar do exercício físico, no pós-parto, pode ser um desafio.Pela quebra de rotinas, que se viram obrigadas a ser alteradas devido à nova...