Baby Blues

Estar à espera de um filho e tê-lo são acontecimentos de vida psicossociais significativos e fatores de stress neuro endócrinos, envolvendo transformações biológicas, psicológicas e interpessoais.  É um momento especial, repleto de emoções e sensações diferentes, para todas as mulheres. Ocorre uma mudança na vida, no corpo, nos sonhos e desejos futuros.

Pouco se fala sobre o pós-parto e os aspetos da maternidade que não se encaixam num cenário idealizado, onde tudo é felicidade. A chegada de um bebé pode ser acompanhada de alegria e amor, mas também, inevitavelmente, de stress, medo, inseguranças, angústias, novas responsabilidades, tudo isto, por conta das inúmeras mudanças vivenciadas neste período extremamente exigente. É uma experiência transformadora, não só para a mulher como também para a nova família em construção, daí muitas mães poderem sentir que estão numa autêntica “montanha-russa” emocional.

O que são os Baby Blues?

O primeiro ponto que devemos ter em mente é que a tristeza após o parto pode ser normal. Durante este período a mulher pode vivenciar sofrimento psíquico dadas as alterações hormonais, psicológicas e sociais que justificam o seu aparecimento. Os baby blues foram descritos pela primeira vez em 1960 observados numa amostra significativa de mulheres as quais, após o parto, choravam com facilidade, porém não havia relação direta com sentimento de tristeza.

Nos primeiros dias após o parto, observa-se que entre 50% e 80% das mulheres podem apresentar sintomas considerados normais, comuns e passageiros às alterações hormonais e ao nível de stress que caracterizam este período, tais como:

  • oscilações no humor;
  • choro fácil
  • dificuldades de concentração;
  • ansiedade e irritabilidade;
  • alterações no sono e apetite;
  • preocupação excessiva com o bebé.

No entanto, apesar de este ser um estado de intensas alterações, são de curta duração!

Saber que este período de fragilidade emocional é vivenciado por muitas mulheres ajuda a atribuir novas dimensões ao problema. Sendo fundamental partilhar, ouvir outros casos, compreender que se trata de um processo normal relacionado com fatores hormonais e de adaptação ao momento. Perceber e apoiar, participando no cuidado do bebé pode ser crucial para que a nova mãe se possa ir restabelecendo e reestruturando os seus sentimentos.

Além disso, é importante que existam pessoas próximas que estejam atentas ao estado emocional da mulher no pós-parto, para encaminhar a profissionais especializados quando necessário.

 

Artigo escrito por Dra. Ana Tavares, Psicóloga Clínica

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

Webinar… Tudo sobre os Direitos Parentais

27 de agosto Como funciona? No dia 27 de agosto, às 21h00, conheça os seus direitos enquanto mãe, pai ou futuro pai. A chegada de um bebé...

Saúde Mental no Pós-Parto: Reconhecer e Cuidar

O pós-parto é caracterizado por um período variável de tempo, que é marcadamente intenso, física, emocional e psicologicamente. Contudo, esta fase é muitas vezes...
E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...