Parto e Pós PartoPartoComo sei que estou em trabalho de parto?

Como sei que estou em trabalho de parto?

O parto é um momento muito esperado, repleto de expectativas e uma multiplicidade de sentimentos. O parto encontra-se desde os primórdios associado a dor intensa, muitas horas em ”sofrimento” e é sobretudo considerado um momento penoso para a mulher. Daí atualmente a grávida sentir, com o aproximar do parto, mais ansiedade, receio e medo da dor.

A verdade é que o trabalho de parto e parto são verdadeiros desafios, assumindo-se como um dos momentos mais marcantes da vida de uma mulher, casal e família. Desta forma, ele é vivido de uma maneira muito pessoal e íntima tendo o culminar no bem mais precioso: o seu filho!

Assim sendo, este momento não deverá ser banalizado e sempre que possível deverá ser vivido a três. Devemos respeitar e ter bem presente que, da mesma forma que cada gravidez é diferente, a experiência e vivência de trabalho de parto e parto é igualmente diferente, de mulher para mulher, casal e família.

A mulher grávida deve preparar-se para ter a sua experiência de parto de uma forma positiva, não levando com ela as experiências contadas e o receio pré incutido. Como o próprio nome indica, ”trabalho de parto” dá trabalho e é exigente física, psicológica e emocionalmente, mas o desfecho é inigualável. Pela sua própria exigência, a mulher ou casal grávido devem preparar-se para o grande dia.

Assim, torna.se fundamental que o casal esteja bem informado acerca dos sinais de trabalho de parto e parto, compreendam como reage o corpo da mulher, qual o papel que o pai assume e como devem reagir perante o início desde até ao nascimento.

Como saber que estou em verdadeiro trabalho de parto?

O motor do trabalho de parto são as contrações eficazes e capazes de provocar apagamento e dilação no colo uterino acima de 3/4 cm.

A contração é identificada através da rigidez da barriga, por um período (significa que o útero está em contração), a mesma pode implicar ou não algum desconforto ao longo de toda a barriga, zona pélvica ou costas. Durante a gravidez é normal que a mulher sinta algumas contrações, nomeadamente indolores e esporádicas, podendo no fim da gravidez sentir contrações irregulares.

Em trabalho de parto efetivo, a barriga dura – contração – assume um padrão regular, cada vez mais presente, cada vez com maior intensidade e o intervalo cada vez mais curto. Durante a gravidez, muitas vezes, o desconforto provocado pelas contrações irregulares acaba por passar com o repouso, enquanto que em trabalho de parto, as contrações não passam com repouso nem com outro tipo de medida.

O trabalho de parto quando iniciado funciona como uma estrada em sentido único, não havendo retorno possível e o desfecho é o nascimento do bebé. Assim, quando a mulher grávida começa a sentir contrações frequentes e de intensidade crescente, que não cedem ao repouso, podem suspeitar que poderão estar em trabalho de parto verdadeiro. Caso as contrações assumam um padrão de, aproximadamente, 10 em 10 minutos, durante 2 horas, ou de 5 em 5 minutos, durante uma hora, então estará na altura de se deslocar ao hospital.

E o rolhão mucoso?

O rolhão mucoso consiste num muco que se encontra no colo do útero e que pode sair antes do início do trabalho de parto. Não é um sinal de trabalho de parto mas pode indicar que o mesmo estará para breve.

As contrações são insuportáveis?

As contrações significam que o útero está a contrair, o que implica desconforto.

Dependendo do limiar de dor de cada mulher e, muitas vezes também do seu estado psicológico (do receio/medo que a mulher sinta do momento do parto), estas contrações podem ser refletidas como muito fortes, mas suportáveis ou insuportáveis. Atualmente, com toda a informação disponível e veiculada pelos profissionais competentes, os métodos disponibilizados para alívio do desconforto provocado pelas contrações e a presença do pai leva a que o trabalho de parto e parto seja vivido de uma forma mais humanizada.

Assim, cabe a cada mulher encarar o momento do parto e cada contração com positivismo e bem estar, pois são as contrações eficazes que vão levar ao nascimento do bebé. Vale a pena mudar a mentalidade e colocar de lado o medo da dor, confiar nos profissionais de saúde e nas suas próprias capacidades!

Que outros sinais me podem levar ao hospital?

Existem outros sinais que embora não signifiquem trabalho de parto, requerem observação e vigilância médica urgente. Deve deslocar-se ao hospital se:

  • Perda de sangue;
  • Perda de líquido amniótico;
  • Vómitos constantes;
  • Sentir-se inchada, com dores de cabeça intensas e com visão turva ou dupla;
  • Não sentir o bebé ou suspeita de redução no padrão normal de movimentos do bebé.

 

Desfrutem da vossa gravidez, pois ela é única, vivam intensamente o parto, porque é um momento inigualável. Preparem-se para o nosso maior sorriso, aquele que com que vão receber o vosso bebé!

Artigo escrito pela Profª Patrícia Sancho, Responsável pelo Projeto Ervilhitas, Enfª Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

Veja como se preparar para o Parto

ARTIGOS RECENTES

ARTIGOS RELACIONADOS

Barrigas Ativas PRESENCIAL 25 julho 10h00 Jardins do Campo Grande (1)

Treino Diário para Grávidas PRESENCIAL

25 de julho Como funciona? No dia 25 de julho, às 10h00, o Treino Diário para Grávidas sai do online e acontece presencialmente, nos Jardins do...

Saúde Mental no Pós-Parto: Reconhecer e Cuidar

O pós-parto é caracterizado por um período variável de tempo, que é marcadamente intenso, física, emocional e psicologicamente. Contudo, esta fase é muitas vezes...
E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante era o momento do parto, percebemos rapidamente que os verdadeiros desafios vão surgir agora, agora que vamos para casa. O regresso a casa depois do parto pode ser um dos momentos mais simbólicos — e ao mesmo tempo mais desafiantes — do pós-parto. No hospital, há profissionais por perto, há uma rede de apoio disponível para ajudar à distância de um clique no botão. Em casa, a porta fecha-se e instala-se uma nova realidade: agora somos só nós, a aprender tudo do zero ou a aprender a gerir tudo com mais um bebé, muitas vezes exaustos e emocionalmente vulneráveis. Este momento, para muitos pais e famílias pode ser vivido com grande ansiedade e stress, pelo medo de estarem sozinhos com o bebé, por não saberem se vão ser capazes de atender às necessidades do seu bebé e manter os cuidados e atenção com outros filhos, pelas dúvidas que surgem no ar, pelas conversas que não foram tidas e expectativas que não foram ajustadas. Preparar o regresso a casa, é muito mais profundo do que preparar o enxoval, o quarto, as roupas. Preparar o regresso a casa exige reflexão, diálogo, antecipação, criação de estratégias e plano de “SOS”, para que consigam mais facilmente gerir os diferentes desafios e situações que possam existir. Quando não existem estes momentos de diálogo e reflexão prévios, muitas vezes o casal pode deparar-se com uma realidade dura, desafiante, esgotante, que os leva ao afastamento, ao julgamento, às críticas e discussões. Num período em que seria necessário existir união, compreensão, empatia e trabalho em equipa. Preparar o regresso a casa e as rotinas é algo necessário de acontecer ainda durante a gravidez. Tal como preparam o quarto para o bebé, as primeiras roupas, as malas para a maternidade, é igualmente importante antecipar o que será o regresso a casa e prepararem-se para as mudanças que vão surgir, com ferramentas que vão certamente ajudar neste processo. Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa Guia Prático para os Casais Prepararem o Regresso a Casa Este guia foi criado para apoiar casais na transição para o pós-parto. Não é um plano rígido, nem uma lista de obrigações. É um convite ao diálogo, à escuta, a ajustar expectativas e ao cuidado mútuo. De seguida, vão encontrar uma lista com várias perguntas que podem responder durante a gravidez, voltarem a refletir juntos no final da gravidez e reler sempre que for necessário nas primeiras semanas de pós-parto. Perguntas que o casal deve refletir, conversar e responder antes da ida para a maternidade: ➔ Como imaginamos que vão ser os primeiros dias em casa? ➔ Que receios/ medos temos em relação ao regresso a casa? ➔ Como lidamos, enquanto casal e individualmente, quando a realidade não corresponde às expectativas? ➔ Como esperamos que seja o papel de cada um? ➔ Quais são os cuidados/ necessidades do bebé que vamos ter de dar resposta? E quem vai assumir esses cuidados? ➔ Que outras tarefas vão existir e quem vai assumir esses momentos (ex. tarefas de casa, logística de outros filhos, cuidados de algum animal de estimação, compras, etc.)? ➔ Como vamos gerir a privação de sono, as noites mal dormidas e os despertares? ➔ Que sinais podemos utilizar para pedir ajuda ao outro, quando um estiver demasiado exausto? ➔ Que estratégias podemos utilizar para conseguirmos descansar por turnos? ➔ O que é inegociável para o nosso bem-estar enquanto casal? Quais são os mínimos? ➔ Como podemos lidar com o cansaço, frustrações, sem nos afastarmos? ➔ Como vamos fazer a gestão com as pessoas de fora (familiares, amigos)? Quais são os nossos limites? ➔ Quem faz parte da nossa rede de apoio real? ➔ Que tipo de ajuda vamos precisar — prática, emocional, logística? A quem podemos pedir essa ajuda? ➔ O que é verdadeiramente essencial conseguirmos dar resposta e manter neste início de pós-parto? O que estamos dispostos a deixar para depois? Psicóloga Ana Beatriz Sousa @absousa_psicologa ➔ Como queremos cuidar um do outro neste pós-parto? ➔ Que pensamentos queremos lembrar quando estivermos no limite? Preparar o regresso a casa não significa que vão ter todas as respostas e estar totalmente preparados para o que aí vem. Mas sim, ter a disponibilidade para irem encontrando as respostas e o vosso caminho em conjunto, como uma equipa. O regresso a casa não é apenas a chegada de um bebé. É a chegada também de uma nova dinâmica — e ela merece ser vista, falada e cuidada.

Preparar o Regresso a Casa e a Rotina com o Parceiro

E depois do bebé nascer, o que acontece?! Já passamos pelo parto, já temos o nosso bebé nos braços e se achávamos que o mais desafiante...